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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sonhos


Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz.

Clarice Lispector

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hoje quero só sossego...

Imagem de Ana Munõz

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efectivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afectos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.

Álvaro de Campos

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Noite de luar

Quem já viu a luz da lua
jamais se contentará
apenas
com o brilho
de uma pequena estrela.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

como é que faria o seu mel?


«Uma abelha, dessas que dizem ser italianas, entrou pela janela, obstinou-se em escolher-me, pousa-me no ombro, descansa de seus trabalhos. Lisonjeado com aquela preferência, comecei a amá-la devagar, retendo a respiração, com receio de que não tardasse a dar pelo seu engano, que cedo viesse a descobrir que não era eu a haste de onde se avistam as dunas. Mas o seu olhar tranquilizava, era calma ondulação de trigo. Agora só uma interrogação perturbava a minha alegria - comigo, como é que faria o seu mel

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bons sonhos...


Esta noite sonhei que era um rio. Um rio pequenino, é certo, que nada mais conhecia além das montanhas onde nascia, dos amieiros e dos juncos que nele se debruçavam. Como todos os rios, o que eu mais ardentemente desejava era desaguar. Comecei a perguntar onde ficava o mar, mas ninguém me sabia responder. Apontavam-me com um gesto vago ora o este ora o oeste. Escolhera já a forma de desaguar – em delta, claro – mas não recolhera ainda o menor indício da proximidade do mar. Uma noite em que estava acampado ente as dunas cheguei finalmente a uma conclusão (a mesma a que todos os rios chegaram talvez antes de mim): o mar não existia.

(E essa conclusão era salgada.)

Jorge de Sousa Braga

quarta-feira, 20 de maio de 2009

...o que aparece


O jardim está perfeitamente sereno. Varro um pó colorido de restos de flores e folhas e coloco o silêncio num vaso branco.
O botão de rosa esconde-se atrás das folhas da roseira.
Salpico o chão, lavo as plantas. Só eu ouço o riso.
O chorão que mudei de lugar, parece que vive. Imagino que as minhas mãos sobre o seu tronco o ajudam a respirar.
O pequeno cedro dourado recebe agora sombra. Descansa.
Toda a planta cresce, toda a semente que toca esta terra germina. Este é um bom terreno para os abandonados.
A frondosa hera mantém-se, tímida, a um canto do muro. Olha, como eu, deslumbrada, o que aparece.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Preciso de silêncio


Preciso de silêncio.
Como você que lê com o pensamento, não em voz alta, o som de minha própria voz agora seria barulho; não palavras, mas só barulho perturbador que me distrai do pensar.
Preciso de silêncio.
Saio pelas ruas e as mesmas pessoas que conhecem o meu repertório desorientados pelo meu rápido bom dia, talvez, pensam que eu estou com pressa.
No entanto eu só preciso de silêncio.
Tanto falei, falei muito; chegou o tempo de calar para apanhar os pensamentos felizes, tristes, doces, amargos, têm tantos desses dentro de cada de nós.
Os verdadeiros amigos, poucos, apenas um? sabem como também escutar o silêncio, sabem esperar, entender.
Quem de mim ouviu tantas palavras e não quer mais ouvir, tem necessidade como eu de silêncio.

Giovanna Amenta

sábado, 14 de fevereiro de 2009