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domingo, 30 de maio de 2010

Alentejo



A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...


Miguel Torga


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Êxtase



Terra, minha medida!
Com que ternura te encontro
Sempre inteira nos sentidos,
Sempre redonda nos olhos,
Sempre segura nos pés,
Sempre a cheirar a fermento!
Terra amada!
Em qualquer sítio e momento,
Enrugada ou descampada,
Nunca te desconheci!
Berço do meu sofrimento,
Cabes em mim, e eu em ti!

Miguel Torga

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Recomeçar

Tela de Leonid Afremov

Recomeça ...
Se puderes,
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
do futuro,
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances,
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

Miguel Torga

sábado, 25 de julho de 2009

Já tão longe de ti...


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.


(...)

Miguel Torga

domingo, 12 de julho de 2009

Adeus


É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
sem lágrimas,
sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer
A humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
Consumada,
Um poema de lírico pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.

Miguel Torga

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Falo da natureza


Falo da natureza.
E nas minhas palavras vou sentindo
A dureza das pedras,
A frescura das fontes,
O perfume das flores.
Digo, e tenho na voz
O mistério das coisas nomeadas.
Nem preciso de as ver.
Tanto as olhei,
Interroguei,
Analisei
E referi, outrora,
Que nos próprios sinais com que as marquei
As reconheço, agora.

Miguel Torga

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A voar...


Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

terça-feira, 12 de maio de 2009

Outro ano, outra flor...

(...)
É essa a eternidade:
A permanente rendição da vida.
Outro ano,
Outra flor,
Outro perfume,
E o lume
De não sei que ilusão a arder no cume
De não sei que expressão nunca atingida.

Miguel Torga

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Deuses desleais


Foi bonito
o meu sonho de amor.
Floriram em redor
todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
lavado e promissor.
Só que não houve frutos
dessa Primavera.
A vida disse que era
tarde demais.
E que as paixões tardias
são ironias
dos deuses desleais.

Miguel Torga

domingo, 29 de março de 2009

...à espera


A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento

Miguel Torga

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tarde colorida


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
não é comigo.
Eu simplesmente, digo
que há fantasia
neste dia.
Que o mundo me parece
vestido por ciganas adivinhas,
e que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga

domingo, 11 de janeiro de 2009

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Silêncio


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.

Só soubemos sofrer enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada...

Miguel Torga