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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Final do ano

(...)
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui p'ra diante vai ser diferente.
(...)

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A dança?Um estar entre céu e chão,


A dança? Não é movimento,
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança - não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser,
por sobre o mistério das fábulas.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 18 de junho de 2009

para reflectir...


"Quando nos calamos, nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a oportunidade de pensar,
reflectir, saber o que falou ou escreveu!!!
"


(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Furto de uma flor


«Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício dormia, e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim, nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

- Que idéia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!»

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Medo


E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
tememos.

Carlos Drummond de Andrade