No fim tu hás-de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo um carinho no momento preciso o folhear de um livro de poemas o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
Meto-me para dentro, e fecho a janela. Trazem o candeeiro e dão as boas noites, E a minha voz contente dá as boas noites. Oxalá a minha vida seja sempre isto: O dia cheio de sol, ou suave de chuva, Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo.
Abro a rosa com pétalas viradas para dentro de mim, sugando-me o ser com os seus lábios de veludo. E quando estou dentro da rosa, ouvindo a música que corre ao longo do caule, num êxtase de seiva, troco em versos o que a rosa me diz, sentindo que a rosa se fecha, em botão, para que o meu ser não saia de dentro dela. Então, sei que habito o próprio centro do efémero, enquanto as pétalas vão caindo, uma a uma, à medida que a rosa se abre, e o sol que entra para dentro da rosa, empurrando o meu ser para fora do centro, corre nas suas veias, como seiva de fogo, até fazer com que outros botões nasçam, para que me suguem o ser, até entre mim e a rosa não haver senão a frágil fronteira de um espinho, em que me pico, sentindo que a gota de sangue do meu dedo podia ser a seiva em que a rosa nasce do ser que a deseja, no instante efémero do amor.