segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tarde no mar


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

Florbela Espanca

Momentos e olhares


Alicerce seus desejos com bases sólidas e construa dia a dia degraus para você chegar até a sua meta, depois se aplauda, porque você conseguiu! Nisso reside o prazer...

domingo, 2 de agosto de 2009

Aprendi que...



Aprendi que...
devemos
sempre dar palavras boas...
porque amanhã
nunca se sabe
as que temos que
ouvir.

Planta do caril


Helichrysum Stoechas


Se de todos os meus lugares preferidos tivesse de escolher um só seria certamente este, junto ao mar, com dunas salpicadas de plantas do Caril-das-areias também conhecida como Perpétuas-das-areias.
Eu classifico-as como “Plantas do paraíso”.
São elas que ao fim da tarde perfumam intensamente o ar que se respira com muito prazer.

Ontem e hoje

Antigo Hotel Avenida...
Hoje Pastelaria Tricana de Aveiro

Sabedoria popular

Não é a montanha que nos faz desanimar, mas a pedrinha que trazemos no sapato.

mc

sábado, 1 de agosto de 2009

Canção da semana

"Saudades"


Belos exemplares de Scabiosa Columbaria, expostas num terreno baldio junto ao Forte da Barra. Também são conhecidas, aqui na zona de Aveiro, por "Saudades"

Música para o fim de semana

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sabedoria popular

Um beijo é como beber água salgada;
bebe e a tua sede aumenta.
mc

Prefiro...

Tela de Thompson Dicks


Prefiro
que apertes suavemente a minha mão
agora que estou vivo,
e não apoies o teu corpo sobre mim,
quando eu morrer.
Prefiro
que me ofereças uma só flor
agora que estou vivo,
e não me envies um formoso ramo,
quando eu morrer...
Prefiro
desfrutar de todos os mínimos detalhes
agora que estou vivo,
e não de grandes manifestações
quando eu morrer...
Prefiro
escutar-te um pouco nervosa
dizendo o que sentes por mim
agora que estou vivo,
e não um grande lamento
porque não o disseste a tempo,
e agora estou morto...


(desconheço o autor)


Oferecido por um amigo que muito estimo.

Obrigada

quinta-feira, 30 de julho de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reflexões


Foi no decorrer do ano maldito, do ano a que chamámos "o festim do sol". É que o sol, nesse ano, dilatou o deserto. Brilhou e brilhou sobre as areias, entre as ossadas, as sarças secas, as peles transparentes dos lagartos mortos e essa erva dos camelos mudada em crinas. Aquele que faz crescer os caules das flores tinha devorado as suas criaturas e reinava sobre os cadáveres dispersos delas, da mesma maneira que a criança reina sobre os brinquedos que destruiu.
Absorveu até as reservas subterrâneas e bebeu a água dos poços existentes. Absorveu mesmo os dourados das areias, que se tornaram tão vazias e brancas, que baptizámos a região como o nome de espelho. É que um espelho não contem absolutamente nada e as imagens que o recheiam não têm peso nem duração. É que um espelho queima por vezes os olhos, como um lago de sal.

Antoine de Saint-Exupéry

Aprendi que...


Aprendi que...
as oportunidades
nunca se perdem,

aquelas que desperdiças...
alguém as aproveita

terça-feira, 28 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

saber ancorar...


no tempo...e no espaço.

Um, dois, três


Um, dois, três.
lá vai outra vez
o gato maltês
a correr atrás
da franga pedrês,
talvez a mordesse
apenas no pé,
o sítio ao certo
não sei bem qual é
(quatro, cinco, seis),
ou só lhe arranhasse
a ponta da crista,
e talvez nem isso,
seria só susto,
ou nem sequer mesmo
foi susto nenhum:
sete, oito, nove,
para dez falta um.

Eugénio de Andrade

domingo, 26 de julho de 2009

É um silêncio sem ti


E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.

Eugénio de Andrade